terça-feira, 6 de julho de 2010

LENÇO

O uso do lenço à cabeça procede da Península Ibérica.

Os bandeirantes usaram lenço à cabeça, bem como os gaúchos e os

índios minuanos. Estes usavam um lenço dobrado passado ao redor da

cabeça.

O termo vincha não foi mencionado na área brasileira. Entre os

castelhanos, era uma cinta, faixa de tecido “pampa”, tira de couro, ou um

lenço dobrado com que os “índios e paisanos” sujeitavam os cabelos.

Atualmente, só usam a “vincha” os domadores.

O lenço ao pescoço é de introdução européia e de uso em vários

países sul-americanos: Bolívia, Argentina, Uruguai e Brasil.

Há vários tipos de nós, havendo alguns de simbolismo político, como

o Republicano composto de dois topes e uma “rapadura” ao centro

(vermelho 1835).

No anuário do Rio Grande do Sul de Graciano de Azambuja (1892

pág.160), há informes sobre o nó republicano. Sua colocação, a do lenço

à cabeça é explicada por Augusto Meyer: “... o engenhoso laço feito com

as pontas de grande lenço vermelho, que recobre a cabeça, caindo em

pontas sobre as costas, e com as outras pontas atava-se um complicado

nó de gravata pendendo sobre o peito”.

Paixão Côrtes em “O Gaúcho, Danças, Trajes, Artesanato” faz des-

crição minuciosa sobre os diferentes nós de lenços. Os mais conhecidos

são: nó de correr ou de namorado, nó de três galhos, rapadura, nó

republicano, nó de ginete, nó comum.

Quanto às cores, houve tempo em que elas significavam partidos

políticos:

Chimango (ala radical do Partido Liberal no I e II Impérios) cor

branco.

Maragato (partidários do parlamentarismo defendido por Gaspar

Silveira Martins - Revolução Federalista de 1893, posteriormente Partido

Libertador) cor vermelha.

A origem da palavra Maragato vem do Uruguai; o chefe gasparista

Gumercindo Saraiva procedia do departamento de San José (da Banda Ori-

ental), colonizado por espanhóis procedentes da Maragateria de Espanha.


O lenço usado “a meia espádua”, imita a antiga charpa de uso na

Europa que, aqui no Brasil, foi utilizada pelos bandeirantes.

Os campeiros da região serrana do Estado do Rio Grande do Sul

usavam lenço como escoteiros com a ponta caída às costas. Não só de

uma cor lisa, mas também de xadrez miúdo.

É de uso comum entre gaúchos uma presilha em forma de anel

(muitas vezes a própria aliança), para prender o lenço, substituindo assim,

o nó. O material usado para isto varia: chifre, osso da canela de avestruz,

metal, couro, ouro e prata.

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